Monitoramento realizado por Observatórios Sociais acompanhou 592 processos de compras públicas e reforça a importância da participação da sociedade na fiscalização dos recursos públicos
Da Assessoria OSB
04/09/2026, 18H
Fonte: Sistema OSB
BRASIL – O acompanhamento das compras públicas realizado por Observatórios Sociais no primeiro semestre de 2026 colocou sob o radar do controle social um volume expressivo de recursos públicos. Ao todo, 592 processos de licitação, cadastrados por nove unidades do Observatório Social do Brasil (OSB), apresentaram valor máximo estimado de R$ 11,47 bilhões.
Os números mostram a dimensão dos recursos que podem ser alcançados pelo trabalho de monitoramento realizado pela sociedade civil organizada. Mais do que contabilizar eventuais economias, a iniciativa busca acompanhar os processos de contratação pública e identificar situações que possam comprometer a transparência, a competitividade e a correta aplicação dos recursos.
Entre os processos cadastrados, R$ 6,85 bilhões correspondem ao valor efetivamente licitado. Outros R$ 50,65 milhões estavam relacionados a processos frustrados, desertos, suspensos ou cancelados. A diferença entre o valor máximo estimado e o valor licitado chegou a aproximadamente R$ 4,57 bilhões.
Esse último valor, porém, reforça que a redução ocorre principalmente durante a própria disputa entre fornecedores, quando os participantes apresentam seus lances e os valores podem ficar abaixo do preço máximo estabelecido pela Administração Pública.
Com esse olhar, podemos considerar que o controle social a partir de iniciativas como os Observatórios Sociais, melhoria nos processos de licitação pública, a ampliação de participação de empresas em lances (gerando concorrência) e a efetiva distribuição de renda fortalecendo o comércio local, ampliam de forma clara e positiva os processos de transparência e efetiva na gestão dos recursos públicos.
O QUE OS NÚMEROS REVELAM SOBRE O CONTROLE SOCIAL
Para além dos valores financeiros, o levantamento ajuda a dimensionar a responsabilidade envolvida no acompanhamento das compras públicas. Cada processo representa recursos destinados à aquisição de produtos, contratação de serviços ou execução de outras despesas que, em última instância, impactam diretamente a população.
O monitoramento também evidencia que o cenário das licitações vem se transformando.
Segundo a avaliação de Cristina Gomes, responsável pelo acompanhamento no OSB, “os editais, de modo geral, apresentam hoje menos problemas relacionados a sobrepreço, uma situação muito comum no passado e que, embora ainda exista, aparece em menor escala, resultado de anos de acompanhamento dos editais, cobranças por melhorias e de amadurecimento das compras públicas, bem como pela atuação mais próxima dos órgãos de controle sobre os processos nos municípios. O principal problema observado hoje é a falta de planejamento das contratações e a dificuldade em adotar mecanismos de fiscalização mais eficientes na entrega dos produtos e serviços contratados. O Desafio mudou, demonstrando a importância do Controle Social junto a Gestão Pública”
Fica evidente nesta mudança no perfil das irregularidades, que o controle social também acompanhe diferentes etapas da contratação. Questões relacionadas à descrição dos objetos, às condições estabelecidas nos editais, à competitividade, à execução dos contratos, à entrega dos produtos e serviços e aos pagamentos podem representar novos pontos de atenção.
Nesse contexto, o papel dos Observatórios não se resume a buscar uma redução imediata no preço de uma contratação. O objetivo é contribuir para que os recursos públicos sejam acompanhados de forma mais próxima pela sociedade e para que eventuais problemas possam ser identificados e questionados ao longo do processo, preventivamente e que o cidadão receba serviços públicos de qualidade e eficientes.
MONITORAMENTO EM DIFERENTES REGIÕES
No primeiro semestre, os processos cadastrados no sistema foram vinculados a apenas nove unidades do Observatório Social do Brasil das cidades de Arapongas/PR, Barreiras/BA, Caçador/SC, Cairu/BA, Farroupilha/RS, Foz do Iguaçu/PR, Pomerode/SC, Campos Gerais/PR e Timbó/SC.
O volume de recursos cadastrados demonstra a dimensão potencial do campo de atuação do controle social, e deve ter sempre a atenção do cidadão para a economia produzida por meio de ações e projetos, também, de controle social, além das iniciativas de controle oficial como os Tribunais de Contas.
DA ECONOMIA FINANCEIRA AO IMPACTO SOCIAL
O trabalho dos Observatórios também está relacionado à prevenção, à transparência e ao acompanhamento da utilização dos recursos públicos. Um questionamento feito antes da contratação pode contribuir para corrigir uma inconsistência, ampliar a competitividade ou evitar que um problema avance para etapas posteriores do processo.
A lógica é justamente atuar antes que eventuais problemas produzam consequências maiores para a Administração Pública e para a sociedade.
Nesse sentido, monitorar uma contratação pública significa também acompanhar recursos que serão transformados em serviços, produtos e políticas públicas que chegam à população.
CONTROLE SOCIAL CONTINUA ESSENCIAL
O balanço do primeiro semestre reforça que a participação da sociedade permanece fundamental mesmo diante do aprimoramento gradual dos mecanismos de fiscalização e das próprias práticas administrativas.
Com órgãos públicos mais atentos e editais que apresentam avanços em relação a problemas historicamente identificados, o controle social também precisa evoluir. O desafio deixa de estar concentrado apenas em erros evidentes de preços ou especificações e passa a exigir atenção a toda a cadeia da contratação pública.
Ao acompanhar processos, levantar questionamentos e estimular a transparência, os Observatórios Sociais ajudam a aproximar a sociedade da gestão dos recursos públicos.
Mais do que os números isolados, o levantamento mostra a dimensão dessa responsabilidade: em apenas seis meses, centenas de processos e mais de R$ 11 bilhões em valores máximos estimados estiveram no campo de atuação de unidades do OSB em apenas 9 cidades, de um país que dispõe de mais de 5 mil prefeituras, além dos orçamentos estaduais e federal.
O resultado reforça a importância de ampliar e fortalecer a participação da sociedade no monitoramento das compras públicas — não apenas para buscar economia, mas para contribuir para que os recursos públicos sejam utilizados de forma cada vez mais transparente e responsável.

